minhas musiquinhas

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SOB O SIGNO DO ECLIPSE


(vês...?
é o encontro dos não destinados,
a beleza da antagonia a seguir num mesmo itinerário.
quais metáforas e quais exemplos seriam possíveis para descrever
que o impossível só existe nas limitações daqueles que não sonham?
na garganta, a secura, o som rouco...
nos olhos, o brilho, a esperança, a verdade da alma, que insiste,
pelos tempos adormecidos, em irromper relâmpagos no peito
e crenças na convergência de todos os caminhos.)


.........................................................

................um lobo uiva para a imensidão...
.................................................o balé do cio,
.................................................os sentidos prímevos
.................................................invoca a tua presença.
................no céu, a cintilância é coberta por um véu
................e a paz, envolvida, rende-se.
................todos os segredos hão de ser contados,
................toda a espera render-se-á ao fortuito
................e mágico momento do encontro.

.................................................amantes da beleza,
.................................................do espontaneísmo
.................................................e das conjugações perfeitas,
.................................................é hora da noite
.................................................e dos mistérios
.................................................que as nuvens carregam...
................é hora dos amantes que não se encontram,
................do ocaso que preenche de recordação o vazio...
................hora do beijo divino e natural,
................cru, com línguas sugadas
................na intempestividade profunda e romântica
................do desejo impaciente e sem devaneios.

................subverta-me ao teu fetiche,
................à noite que não vincou em teu ventre
................e ao dia que amanheceu em tuas coxas.
................................................................cubra-te de mim,
................................................................igual esta lua,
................................................................sob o olhar dos admiradores
................................................................que não podem tocá-la
................................................................ou, sequer, compreendê-la...
................................................................cubra-te e serei o vindimador
................a colher no teu umbigo o fruto fora da estação.

................voyeurs da noite
................e dos fascínios evocados por estrelas,
................esta contemplação,
................este presente antigo,
................revivido, é quase findo...
................depois a imagem rememorada,
................um círculo...
................um alo nevoento se forma
................e, de novo, brumas e assombros.

.................................................no olhar a persistência,
.................................................o prazer em soluços,
.................................................a amante nua, debruço,
.................................................a dourar o travesseiro
.................................................com os seus cabelos de lua...
.................................................para, depois,
.................................................seguir sozinha e reluzente.

.................................................nego,
.................................................floresço,
.................................................escorrego na sombra
.................................................que me põe em extravio.
.................................................deito-me
.................................................e enveneno-te novamente
.................................................com o meu canto conspurcado
.................................................mas, de verdades, atingido.
.................................................as palavras límpidas se dobram,
.................................................a plenitude suprime as privações
.................................................e, ereto, apunhalo o teu sexo
.................................................em incalculável atenção.

.................................................a noite toda é uma síncope,
.................................................percebida no dançar de teu quadril,
.................................................uma sinestésica percepção
.................................................de que és ternura e excitação.
................és esse voo rasante de astros e meteoros
................que hipnotiza e, depois,
................perturba...

................passeio
................como sombra possuidora
................em teu corpo de luz.

.........................................................

(vês...?
do silêncio que é todo interior, da brecha da janela onde a madrugada
está sempre à deriva,
sigo...
aprisionado no não permitido que degrada,
na completude que ameaça...
e eu, sempre tudo posso, brindo e compactuo com as palavras em elipses.
benevolente,
dou-te um outro rumo...
interdito esse teu passar silente e roubo as tardes verdes de teus olhos...
a componho e a possuo sob o signo do eclipse).

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