minhas musiquinhas

sábado, 17 de julho de 2010

Minha lição de casa tem sido, ao longo de alguns meses, examinar o que causa minha raiva, minhas reações explosivas ou não, mas sempre a raiva. Diz a sabedoria, não a popular, mas a acadêmica (talvez ambas), que raiva é medo. Sabendo disso, comecei a prestar atenção.




Nas situações de trabalho, quando alguém me enerva, o que vem é uma sensação de desamparo, algo como não ter quem me defenda na situação, que me livre daquilo. Só depois do desamparo é que vem a raiva, que me prepara para me defender do melhor jeito que eu consigo. Ou que eu sei, o que é bem diferente. Concordo.



Nos relacionamentos é a mesma coisa. A desatenção, a provocação, aberta ou disfarçada, intencional ou não, primeiro me fazem sentir como se eu estivesse caindo em um buraco. Fico sem chão, sem reação, algo que eu sempre creditei a uma certa falta de presença de espírito. Não é o caso. É como apanhar sem saber por quê. Depois é que vem o sangue nos olhos. A porrada.



Para onde quer que eu olhe está o desamparo. Já combinei de conversar com esse menina assustada que um dia eu fui, de colocá-la no colo e de dizer a ela que eu estou aqui, mas, se um dia esse menina que eu fui, mas que ainda vive em mim, e esse mulher que sou puderem se reunir, acho que vão se sentir muito sozinhas Não conheço ninguém que não tenha sua medida de desamparo. Que não se veja, vez por outra, tão sozinho como um canastrão na hora que sobe o pano, como diz a música. Se algum de nós não precisar de amparo, fatalmente vai lhe caber amparar todo o resto das pessoas. Não é um papel que me assusta. O outro, o atual, me assusta mais.

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