Continuo a ter mais medos do que eu acho razoável, mas tive piores. Já tive medo de jogar minhas pérolas aos porcos. Já fiz isso, algumas vezes, e me arrependi de dar algo tão precioso a quem não merecia. Meu temor era que essas coisas que me eram caras caíssem em um vazio. Imenso, talvez infinito.
O medo passou não porque eu ache que posso realmente desperdiçar meu amor, meu carinho, minha atenção com quem não merece. Não é o caso. Talvez me ajude o fato de eu hoje só oferecê-los a quem realmente me faz bem, mas vai além disso. Em vez do medo do vazio alheio, eu tenho é de lidar com a minha plenitude. Quanto mais eu gasto, mais eu tenho. O amor que sinto não para de brotar, não deixa de querer sair de mim e se espalhar, se expandir. Culpa dele em parte, que me inspira da hora em que acordo até a hora em que vou dormir. Culpa minha, também, que não sabia ter tanto a oferecer. Que não sabia que essa fonte não seca. Sorte dele. Sorte minha.
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